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  • Jason Prado

Visitas a Museus e espaços culturais


O Programa Leia Brasil levou aos alunos das escolas públicas uma enciclopédia cultural através de livros e de diversas outras formas de incentivo à leitura.


A ação pedagógica do Leia Brasil tinha o objetivo de formar professores leitores afiando seu olhar para a riqueza e diversidade das diferentes linguagens. Afinar o olhar para o teatro, para a música, para exposições e outras atividades artístico-culturais, enriquece o olhar sobre a vida.


Quando se visita museus, bibliotecas, teatros, ou qualquer outro lugar onde se produz cultura, além de sermos envolvidos pela magia e encantamento desses espaços, exercitamos nossas habilidades de percepção e reflexão indispensáveis à leitura de mundo e à ampliação do nosso repertório de referencias.


Essa atividade – visitar pessoalmente espaços culturais – possibilita maior proximidade à produção humana, ao movimento do Homem no Mundo, às nossas memórias, à própria História.


Conversa com o Professor

Museu: Espaço de reminiscências e local de descobertas


Ao focar o museu como possibilidade cultural de variadas leituras, de inesperadas descobertas interiorizadas que afloram desavisadamente, possibilita repensar um novo conceito, escapando do senso comum instalado no imaginário social. Como um caleidoscópio, o museu pode provocar uma vertigem de percepções e lembranças, até então adormecidas em nossa memória, criando caminhos para uma viagem cujo roteiro só o indivíduo pode estabelecer e determinar quando se completa.


Como uma das instituições que melhor expressam a relação inquieta do homem com o mundo que o cerca e que o define socialmente, o museu tem uma permanência institucional e simbólica, tal qual uma cercadura mágica para protege-lo da angústia do desaparecimento. É sua possibilidade de acesso ao desvendamento da morte resignificada em eternidade. A sociedade, por extensão, obtém no museu uma das formas de se reconhecer enquanto representação coletiva de uma classe social expressada social e culturalmente.


Conhecer para não esquecer, guardar para não desaparecer, esta é a relação dialética que acompanha o homem em sua trajetória no campo material – com os objetos colecionados – e no simbólico – na exposição museológica. Processo que indica ser a origem do museu tão remota quanto a percepção do homem acerca de seu meio ambiente e de seus objetos. Multifacetado como conceito social, o vocábulo museu deriva do grego mouseion, do latim tardio museum, marcando-o em seu traço mitológico. Nome do templo em Atenas dedicado às Musas, filhas de Zeus e Mnemosine, deusa da Memória, era um local evocativo à inspiração e ao saber onde os sábios do mundo helênico e egípcio reuniam-se para apreciar as artes, escrever seus livros e criar poesias, sob a inspiração das Musas, protetoras da memória e das reminiscências humanas.


Com a expansão do conhecimento, ressalta-se um dos aspectos denotativos de museu, ou seja, seu traço enciclopédico, o qual determina o procedimento metodológico e classificatório exaustivo ligado às coleções, iniciando-se com as coleções da nobreza européia e dos tesouros papais. Em sua formação básica de organização sistematizada e acumulativa de objetos, formavam os chamados gabinetes de curiosidade, que reuniam desde animais empalhados, minérios, esculturas, bibelôs até fragmentos de fósseis e obras de arte, originando-se neste contexto a marca pejorativa de museu como depósito de coisas velhas e inúteis, que por longo tempo permaneceu no imaginário popular.


Porém, a acepção moderna de museu firma-se a partir de seu traço institucional, resultado de uma conjugação social, política, econômica e cultural. Aberto ao público em geral e expondo as grandes coleções, até então exclusivas de seus possuidores, firma-se por todo o século XIX e ao longo do século XX. É deste período que surge o museu temático, como o Nacional, Belas-Artes, História Natural, na qualidade de principais depositários de objetos e documentos ligados a fatos históricos, saber científico e produção artística. A instituição museológica conquista a posição privilegiada de expressar ao seu visitante múltiplos aspectos da produção do conhecimento humano e da expressão cultural de determinada camada social.


Para entender um pouco melhor sobre museu como expressão social e cultural é sempre bom mergulhar na proximidade da vida cotidiana, como espelho de uma conduta que temos com nosso acervo pessoal. A relação intensa que o ser humano tem com seus objetos, com o álbum de retratos, os brinquedos de infância, as cartas recebidas de pessoas queridas, tudo isso forma nosso museu particular. São os objetos que registram nossa vida, nossos momentos mais significativos, que nos fazem recordar para não se perderem. A partir do resíduo dos objetos guardados, ato seletivo que nos aproxima da lembrança, da reminiscência, torna-se mais fácil compreender a atuação e a perspectiva do museu como local de coleta, guarda e exposição sistemática de testemunhos materiais e simbólicos da vida do homem, como ser social que é.


Advém desta prática a concepção de conservação, de manutenção de sua integridade física, para que ao serem expostos os objetos não corram o risco da destruição. As exposições, razão primeira do museu, tem reforçado o aspecto pedagógico da transmissão das variadas experiências humanas no campo cultural. Assim como vêm abrindo espaço para reflexão da função social do museu, qual seja, a de local que possibilita uma das leituras da formação de uma sociedade em seus variados segmentos. à conjunção integradora de seus traços de identidade, o museu firma-se como espaço alternativo de lazer e educação, provocador de comunicação e transmissor de informação que, sob a proteção das Musas, penetra cada vez mais aos hábitos da sociedade e dos cidadãos.


Museu do Telephone: uma viagem pela tecnologia


(O Museu do Telephone já não existe, mas nessa leitura você pode ver como estruturar uma visita proveitosa a um espaço cultural para ampliar os universos de leitura)


A dinâmica do tempo parece inapreensível em sua possibilidade de congelamento. A tecnologia, fenômeno científico que marca nosso século, não é cogitável de tornar-se objeto de museu, tal é a sua evolução e penetração em nosso cotidiano. O tempo museológico torna possível um passeio por um tempo dinâmico como o processo tecnológico. O passado aproxima-se do presente de forma que sua distância parece quase imperceptível. Uma visita ao Museu do Telephone recria esta mágica da temporalidade.


O prédio onde está instalado o Museu do Telephone (atualmente o Oi Futuro), no bairro do Catete, com seu pé-direito muito alto, traz as marcas da evolução tecnológica ligada à telefonia no Brasil. Instalada em 1918, a Estação Telephonica Beira-Mar é uma das primeiras do tipo manual, com 2.597 linhas, com a finalidade de atender ao ritmo de progresso que marcaria o Rio de Janeiro no início do século.


A partir de 1930, com a automatização dos serviços telefônicos, a estação passa a funcionar como escritório da Rede Externa, dispensando o auxílio luxuoso das famosas telefonistas que, além de representarem uma das primeiras profissões essencialmente femininas, inspiravam cronistas e poetas, como nosso Carlos Drummond de Andrade.


Transformado em museu a partir de 1981, a antiga Beira-Mar passa a contar os passos significativos dados pelas telecomunicações brasileiras, e coloca-se como um importante centro de referência para pesquisadores da área das comunicações, além de desenvolver uma série de atividades culturais que o inserem na agenda de espaços múltiplos a oferecerem variadas opções de lazer e cultura a seu público.


Quando se percebe que não faz tanto tempo assim usávamos aqueles tipos de aparelhos de telefone em nossa casa, que convivíamos com as limitações do número de telefones públicos, assim como não cogitávamos de ter pleno acesso às principais fontes de conhecimento produzido neste século, verifica-se que o tempo no museu reveste-se desse encantamento que o mantém como fonte de descoberta do homem e seu entendimento do mundo.


Primeiro Andar

Ao iniciar a visita, depara-se com encanto do tempo mesclado no contexto museológico: um painel fotográfico que reproduz um dos primeiros postos telefônicos da antiga Avenida Central, atual Rio Branco, com suas cabines telefônicas, e o quiosque multimídia que dá acesso à programação cultural do Museo, a sites locais e internacionais da Internet. Em sua galeria de exposições temporárias são expostos trabalhos ligados à comunicação em suas diversas formas. Enquanto que na área externa, o centro de pesquisa oferece um acervo de fotos, documentos, listas telefônicas que pode ser consultado pelo público e pesquisadores interessados.


Segundo Andar

Com uma retrospectiva histórica, a partir da exclamação de D. Pedro II ao descobrir em 1876 que a invenção de Graham Bell falava, às réplicas do primeiro aparelho patenteado, das mesas telefônicas, dos modelos à manivela e a disco, da coleção de telefones públicos, os famosos orelhões, torna-se claro o processo tecnológico que nem sempre é visível para nós quando estamos utilizando os equipamentos em nosso cotidiano.


Terceiro Andar

Na amplitude deste espaço, convivem três gerações de equipamentos telefônicos: passo-a-passo, rotativo e pentaconta, destacando-se por sua imponência eletrônica.

Pode-se visualizar no painel luminoso como ocorre uma ligação telefônica, provocando uma interação homem-máquina que encanta adultos e crianças. É também neste andar que se localizam o Teatro e a Sala de Vídeo Estação Beira-Mar, com uma variada programação cultural.


Curiosidades

O bairro do Cetete, onde está situado o Museu do Telephone, representou um dos pontos de maior expressão social, econômica e política na cidade, funcionando como um elo de ligação e passagem ao centro do Rio de Janeiro, estando lá o Palácio que lhe dá nome, local de eventos inesquecíveis de nossa história. Dentre as fotos exibidas e ampliadas, destacam-se os painéis assinados por Augusto Malta (1864-1957), fotógrafo contratado pela Prefeitura em 1903, para documentar as transformações urbanas na cidade promovidas pela administração Pereira Passos. E completando, a coleção da revista Sino Azul, uma das pioneiras publicações de jornalismo empresarial do país, disponíveis à pesquisa.


Sugestões

BIBLIOGRAFIA BÁSICA SOBRE O MUSEU

CASTRO, Ana Lúcia. de . O Museu: do sagrado ao segredo. Uma abordagem sobre informação museológica e comunicação. Rio de Janeiro, 1995. 205 f. Diss (Ms. Cl. Inf.) ECO/UFRJ.

GARAUDY, Daniele. O museu e a vida. Rio de Janeiro: Fundação Nacional Pró-Memória, 1980 99p.

IDEÓLOGOS DO PATRIMÕNIO CULTURAL. Rio de Janeiro: IBPC, 1991. (Caderno de Debates, 1)

MEMÓRIA E EDUCAÇÃO. Rio de Janeiro: IBPC/Paço Imperial, 1992 (Caderno de Ensaios, 1)

OS MUSEUS do mundo. Rio de Janeiro: Salvat, 1979. 142 p. (Biblioteca Savat de Grandes Temas).

SUANO, Marlene. O que é museu. São Paulo: Brasiliense, 1986. 101 p. (Coleção Primeiros Passos).

NOTAS:

  1. MUSEU é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento, aberta ao público, e que adquire, conserva, pesquisa, comunica e expõe, com a finalidade de estudo, educação e lazer, os testemunhos materiais do homem e de seu ambiente. Artigo 3º do Estatuto do International Council of museum – ICOM (Conselho Internacional de Museos – ICOM – ligado a UNESCO).

Assessoria técnica aos textos:

Ana Lúcia Castro – Museóloga e mestre em Ciência da Informação ECO – UFRJ


TÍTULOS PARA LEITURA DE IMAGENS

Catarina e Josefina – Eva Furnari

A Bela e a Fera – Rui de Oliveira

A Bruxa e a Zolda e os 80 – Eva Furnari

A Bruxinha Atrapalhada – Eva Furnari

Cenas de Rua – Ângela Lago

Charadas Macabras – Ângela Lago

O Personagem Encalhado – Ângela Lago

O Ratinho que Morava no Livro – Monique Félix

O Próximo Dinosauro – Roger Mello

Saltarelo – Hugo R. de Almeida

A Pontinha Menorzinha – Elvira Zigna

O Funil Encantado – Jonas Ribeiro

Fio – Marilda Castanha

A Noite em que Segui meu Cachorro – Nina Lador

Mamãe, você me ama – Bárbara Joosse

História do Amor – Regina Rennó

Gato de Papel – Regina Rennó

O Mundo das Histórias em Quadrinhos – Leila Rentroia Iannone

Os Cisnes da Bruxa – Coleção Contos Populares da Velha Europa

A Menina e o Dragão – Eva Furnari

Outra Vez – Ângela Lago

O Almoço – Mário Vale

O Barquinho Vai... – Maurício Veneza

A Arca de Noé – Lucy Cousins

O Dia-a-Dia de Dada – Marcelo Xavier

Picote – O Menino de Papel – Mário Vale

A Cristaleira – Graziela Bozano Helzel

Asa de Papel – Marcelo Xavier

A Casa Sonolenta – Audrey Woos/Don Wood

Meus Porquinhos – Audrey Wood/Don Wood

Só Tenho Olhos pra Você – Graça Lima

(Essas são apenas algumas sugestões. Procure na biblioteca e aumente essa lista).