* texto enviado pela Profª Maria Cristina

Um dia recebi um telefonema da minha então coordenadora, para avisar-me que no outro dia, 20 de abril de 2006, iríamos a Aracaju, representar à escola, para participar de um encontro com professores de todo o estado. Pensei com meus botões: “só me convidaram porque amanhã é feriado (aniversário da nossa cidade) e ninguém quer ir. E lá fui eu, sem muitas expectativas.”.
Ao chegar ao teatro Tiradentes vi muitos professores, alguns colegas de faculdade, mas nada sabia sobre o encontro. Na abertura dos trabalhos, a Telma iniciou os trabalhos daquela manhã chamando para falar o Sr. Jason, que nos apresentou a organização não governamental “Leia Brasil”. De cara fiquei apaixonada; tinham tudo a ver comigo. Amo leitura, desde que me entendo por gente, conseqüentemente vivo diariamente tentando fazer de cada aluno que passa na minha trajetória profissional um leitor apaixonado.
Naquela manhã, o escritor mineiro, Bartolomeu Campos de Queiros nos contou histórias lindas. Lembro particularmente de uma: “um dia me perguntaram se eu gostava de ler livros de auto-ajuda, daí respondi que o único do estilo em questão que não deixo de ler é a bíblia”, caí de amores por ele, também não gosto desse estilo de literatura. Depois, assisti ao espetáculo teatral, “Monólogo do cigarro”, com o ator Pascoal da Conceição. Olha, pra falar a verdade, até hoje agradeço a quem teve a brilhante ideia de me convidar, pois desde aquele 20 de abril, minhas aulas não foram mais às mesmas. Se eu já era uma leitora, tornei-me uma apaixonada pelas palavras, tanto que fui cursar letras (já era pedagoga).
Já fizemos uma variedade de trabalhos baseados nos livros do caminhão-biblioteca. Cada visita dele é uma festa, as crianças ficam fascinadas, querem pegar nos livros, fazem perguntas aos funcionários, os olhinhos delas brilham, é um dia maravilhoso. Como trabalho em duas escolas, em municípios diferentes, Lagarto e Boquim e apenas a escola da cidade de Lagarto é cadastrada ao projeto, levo tudo que aprendo para a outra escola. Uma vez, no final de um ano, pedi ao encarregado do acervo, para que doasse os livros velhos para eu levá-los para a escola do povoado Mangue Grande, pois lá, o acervo era insignificante e eles tinham fome de leitura.

Passei a trabalhar com meus alunos com caderno de resumos. Eles tinham a tarefa de ler um conto por semana, fazer o resumo do mesmo, ilustrá-lo e trazer para eu corrigir. Tudo era feito num caderno especial, que cada um dava o seu próprio título e no final do ano, apresentavam para a toda a comunidade numa exposição linda seus próprios livros. Sinto-me feliz por ter colaborado com eles.
No ano do teatro, fizemos peças lindas nas duas escolas. Tudo que fazia em uma fazia na outra. Cheguei a formar um grupo de teatro com os alunos e levava-os para apresentarem o espetáculo em outras escolas e na outra cidade que trabalho. Uma experiência fascinante. Hoje, um dos componentes daquele grupo de teatro é ator de um grupo profissional da cidade de Lagarto. Nossa, sou uma professora sortuda.
As oficinas de contação de história, ministradas pela professora Aglaé Fontes, muito me ajudaram, amo contar histórias, cada dia que chegava numa sala de aula, os alunos logo perguntavam: “qual é a história de hoje?”, tinha que ter uma novidade. Não existe coisa melhor no mundo do que se fazer o que se ama. Eu amo dar aula. É o que penso que sei fazer.
Certamente aprenderei muito mais com as experiências trocadas a cada encontro com os colegas, promovidos pela Leia Brasil. Agradeço muito a todos que fazem parte dessa fantástica organização.

A Profª Maria Cristina trabalha da Escola Municipal Prefeito Zezé Rocha, Lagarto/SE








