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Arquivo da Categoria ‘Jason Prado’

Ciclo Brasilidade: Leituras Compartilhadas

segunda-feira, 12 de abril de 2010

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A Cátedra Unesco da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Rio de Janeiro, aproveitou que 2010 é ano de eleições e Copa do Mundo e irá inaugurar na sexta-feira, 16/04, um ciclo de debates sobre o Brasil e a identidade nacional chamado Ciclo Brasilidade: Leituras Compartilhadas.

O evento, que vai até 28 de Maio, contará com a participação de escritores e intelectuais, como Affonso Romano de Sant’Anna, e será mediado pelo presidente da ONG Leia Brasil e editor do caderno Leituras Compartilhadas, Jason Prado.  Os Cadernos de Leituras Compartilhadas são revistas temáticas com textos literários e artigos de especialistas sobre temas cotidianos como lixo, trabalho, meio ambiente e família.

Os interessados em participar devem fazer inscrição pelo e-mail sbsformacao@gmail.com ou pelo telefone (21) 35271961 (das 9 às 13h). As vagas são limitadas. Os debates serão todas às sextas-feiras, das 17 às 19h.

Programação:
16/04 Carlos Lessa | A festa, o povo, o Rio
30/04 José Durval | Macunaíma - a rapsódia mito-poética e a psicanálise
07/05 Julio Diniz |Os brasileirinhos inventaram o Brasil
14/05 Claudia Chigres | Memória e história na construção da identidade brasileira
21/05 Affonso Romanno Sant’Anna | Que país é este?
28/05 Antônio Edmilson Martin Rodrigues | O Brasil não é longe daqui

Serviço:
Ciclo Brasilidade: Leituras Compartilhadas
Local: Cátedra Unesco de Leitura PUC - Rio
Rua Marquês de São Vincente, 225, Gávea
Horário: 17 às 19h
Vagas Limitadas

Jason Prado participou de mesa sobre “A iniciativa privada e a promoção da leitura”.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Aconteceu no dia 16 de abril o Seminário Políticas de Incentivo à Leitura em Belo Horizonte.
O objetivo do seminário foi discutir as ações da iniciativa privada, do poder público e da sociedade civil para a democratização do acesso à leitura.

Direcionado ao público envolvido com temas em torno da leitura, como bibliotecários, professores, gestores públicos das áreas de cultura e educação, entre outros, o evento aconteceu na sede da Superintendência de Bibliotecas Públicas de BH.

O evento contou com a presença dos escritores Affonso Romano de Sant’Anna e Bartolomeu Queirós como palestrantes. O Secretário de Estado de Cultura de MG, Paulo Eduardo Rocha Brandt, e outras autoridades da área de cultura também participaram.

Seminário Políticas de Incentivo à Leitura
Período: 14, 15 e 16 de abril de 2009
Local: Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa - Praça da Liberdade 21 – Belo Horizonte – MG
Informações e Inscrições: (31) 3269-1202 ou sistema.sub@cultura.mg.gov.br

http://www.cultura.mg.gov.br/?task=home&sec=4

Faça da leitura um lema em 2009

sábado, 27 de dezembro de 2008

O Leia Brasil deseja um ótimo 2009 a todos.

Sobre roscas e fusos

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Sobre rocas e fusos

Ou: Não existe riqueza inocente!

Jason Prado

Dezembro de 2008

Há alguns anos transita por entre as escrivaninhas do MEC e as comissões do Congresso a idéia de que se pode valorizar a escola pública brasileira (e, por conseqüência, o ensino público), reservando-se cotas nas universidades federais para os alunos oriundos daquela instituição.

Nada pode parecer mais linear e singelo, quando consideramos que o ensino superior gratuito está fora do alcance daqueles alunos, despreparados que foram para disputar as vagas no vestibular.

(mais…)

Leia Brasil no Café Literário

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O projeto “Café Literário”, desenvolvido pelas escolas municipais de Quissamã, teve como tema os 100 anos da morte de Machado de Assis.

O Leia Brasil desenvolve o trabalho de incentivo à leitura no município, apresentando resultados significativos. A secretária Isabel Pessanha
ressaltou que o trabalho “fortalece o desenvolvimento da educação em Quissamã”.

O diretor executivo da ONG, Jason Prado, e o coordenador pedagógico, Jaime Leibowitz, participaram do evento.

A equipe local teve participação significativa, com apresentações de poesias, leituras de sinopses e teatro.

Já nem ouvimos seus gritos

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Texto de Jason Prado

O primeiro conceito de cultura remete à lavoura. Plantio, cultivo e colheita.
Definidora do ideário humano, é ela, também, polisêmica; de amplos e variados sentidos. Mas sempre associados à germinação e à vida, ao intervalo, seja de plantas ou povos, entre o nascer e o morrer. Intervalo de todos, intervalo contínuo, que só ganha sentido na soma de suas individualidades. Somos todos parte da safra, não importa nosso tamanho.

Pois olhando assim pro nosso torrão natal, como um vasto campo de culturas, é que começamos a notar uns pequenos plantios transgênicos. Germinam, aqui e ali, sementes mutantes. Não dessas que foram lapidadas pela natureza, em sua sábia adaptação às adversidades, nem daquelas nascidas de anos de pesquisa, mas incubadas nos desvãos da terra, na adubagem desmedida, na irrigação preguiçosa.

Não se trata de joio no trigo, praga na lavoura, nem de frutos estragados.

É apenas um cultivar exótico, de espécie parecida, porém diferente, cuja brotação começa a ocupar espaço.

Os encarregados dos campos, mesmo sobrecarregados com suas rotinas de plantar, cuidar e colher, já notaram essas folhagens sobressaindo. Avisaram aos donos da terra, que estão ocupados com as delicadas operações de vender, com a instabilidade dos preços, com a intrincada distribuição aos mercados. Mas, ainda assim, recomendaram chamar os especialistas.

Esses estudam o caso. Orientam tomar medidas de contenção, isolar algumas áreas, promovem encontros e pesquisas que certamente permitirão compreender o fenômeno.

Mas a coisa sempre rebrota. Do nada, vem na forma de um frágil pedido de socorro à beira da estrada. Lorena, oito anos, só e com o braço quebrado, trinta horas pedindo ajuda no acostamento, quando alguém parou para ajudar.

Outras vezes despenca de uma janela, Isabela! Faz muito barulho ao chegar, mas já se tornou paisagem. Pais que agem.

Mães que ensacam bebês e lhes roubam o destino de uma morte incerta. Marcola? Militares de alto coturno que mercadejam o povo. Políticos obrando incansáveis, pelo descrédito da democracia.

Ervas transgênicas de nossa cultura, nascidas, sim, nas escolas que abandonamos por exagero ou descaso. Não são melhores nem piores que os frutos que semeamos. São apenas outra coisa.

Os cultivares que conhecemos, de flores vistosas e frutos virtuosos, que alimentam ao corpo e à alma, requerem lavradores mais caprichosos, conhecedores da terra, das sementes e das medidas das coisas.

Professores preparados de verdade para dosar valores, fertilizar consciências e encorajar crescimento. Daqueles que despertam vocações e inspiram carreiras.

A educação precisa urgentemente de planos, projetos e ações sérias e comprometidas. Nada mirabolante. Nada que custe milhões. Nada para daqui a quinze anos. Precisamos de soluções práticas, para hoje e amanhã. Coisas a que não devemos chamar de “políticas” para não impregná-las com este sentimento comezinho, esquivo e aderente que a palavra está adquirindo.

Essa cultura, por mais avançadas que sejam as tecnologias, não pode abrir mão dos manuais.
Isso, manuais. Livros à mão, para quem quiser ler.

Não livros didáticos, nem cartilhas obscurantistas, com receitas de felicidade. Livros de literatura, que nos ensinam os contornos da humanidade. Livros que registram as leis universais, mas também as individualidades, as singularidades das lavouras, dos frutos e colheitas, para que o futuro não seja incerto nem uma eterna promessa.

Plantios feitos com essas técnicas e ferramentas merecem o nome de “boas culturas”. Culturas com cê maiúsculo, onde transgênicos não desejados, pragas e ervas daninhas não prejudicam a safra, nem se tornam espantalhos de nós mesmos.

*Este texto foi publicado na Revista do Sesc em julho de 2008.

Jason Prado fala sobre a política dos livros no Brasil

sexta-feira, 6 de junho de 2008
[Política da Leitura]
Texto de Jason Prado

Pela primeira vez concordo plenamente com o Sr. Galeno Amorim e seu blog Brasil que Lê: já passou da hora de se fazer uma Política do Livro e da Leitura nesse País.

Pena que ele não tivesse constatado isso antes, quando, na condição de criador e coordenador do PNLL – Plano Nacional do Livro e da Leitura, tinha todos os instrumentos para fazer o que quer que fosse.

Galeno chama atenção, hoje, por conta da publicação dos resultados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, para o fato de que as escolas não estão preparadas para o trabalho com a leitura. Mas insiste na idéia de que a criação de bibliotecas seria a solução do problema.

Seu padrinho político (quem o conduziu ao Planalto) foi o segundo homem da República no primeiro mandato de Lula, o que lhe garantiu forças suficientes para fazer com que o Governo encampasse um lobby das editoras capitaneado pelo Senador José Sarney.

Lobby este que isentou a cadeia produtiva do livro de todos os impostos, sob a premissa de que seus agentes econômicos devolveriam, espontaneamente, parte do que embolsariam (1% dos 14% economizados), como verba para criação de um fundo destinado à promoção da leitura. Diga-se de passagem, fundo que nunca saiu do papel.

Não precisamos repetir que os impostos retirados dos livros, se gastos com a compra de acervos e formação de mediadores de leitura, fariam muito mais pelo Brasil que não lê do que no lugar onde foram parar.

A questão da leitura na escola é muito mais grave do que parece.

A começar pelo que a sociedade brasileira espera da escola: a metade de cima se encastelando no que considera “ensino de qualidade”, ao mesmo tempo em que segrega a massa, o grosso da população, numa escola pública à qual não dá mínimas condições de existência.

A mesma sociedade que pode pagar 60, 100 reais por um livro desonerado de impostos, ou 200, 300 por um jantar ou um par de sapatos, se ilude pensando que o professor pode alfabetizar e encantar crianças com livros e literatura, ganhando pouco mais de R$ 700,00 por mês. É menos do que ganham um gari, um motorista ou uma empregada doméstica.

Pior: entrega essa tarefa a professores secundaristas, muitas vezes formados há uma ou duas décadas, e que nunca receberam nenhuma orientação acadêmica. Professores que não lêem, e que nunca aprenderam a trabalhar a leitura, nem para si, nem para os outros.

Não é por acaso que, segundo revela uma pesquisa da Unesco, o sonho dos professores das escolas públicas é matricular seus filhos numa escola particular.

Assim se inicia o reconhecimento do fracasso do ensino público.

Que passa pela certeza da evasão; pelo desrespeito físico e moral ao professor e pela aniquilação de sua auto-estima.

Pela convicção de que é um ensino de baixa qualidade, porque é destinado aos desassistidos, àqueles de quem se espera apenas um “polimento”, para que suas teimosas existências não nos criem constrangimentos nem embaraços quando nos defrontamos com eles.

Fracasso que o MEC quer concluir reservando vagas, para os que dele emanam, nas universidades públicas, ditas de excelência.

Por que será que o ensino superior privado se tornou num negócio tão próspero no Brasil?

Realmente, já passou do tempo de se fazer política de leitura nesse País.

Mas não acredito que se possa mudar o quadro atual de coisas apenas guarnindo as escolas e as esquinas com livros. Isso seria a continuidade de uma política do livro, na qual o Brasil vai muito bem obrigado.

Política de leitura é outra coisa.

Passa, sim, pela escola e pelos governos em todos os níveis. Mas não é só com verbas e licitações que se fazem políticas. Por enquanto está faltando vontade, seriedade e sonhos.

Sonhos que os livros ajudariam a construir, mas que não construiriam sozinhos.

 

 

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