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Apoio à leitura nas escolas

O Leia Brasil vai intensificar as práticas leitoras nas escolas. E quem vai coordenar este trabalho é a Professora Maria Helena Ribeiro, que volta para cuidar dos conteúdos pedagógicos do site e das cidades parceiras. Leia abaixo sua mensagem de retorno.

A VOLTA
Maria Helena Ribeiro

Meu nome é Maria Helena Ribeiro. Alguns de vocês devem se lembrar de mim, dos tempos em que fui, durante seis anos, a Coordenadora Geral Pedagógica do Leia Brasil.
Minha volta ao Leia Brasil enche-me de alegria e esperança, pois sempre foi para mim um prazer fazer parte dele, trabalhar para ele, saber que ele existe no nosso país. Voltar agora significa que é possível apostar na continuidade dos projetos, especialmente aqueles bem sucedidos que lidam com a educação, a cultura, a cidadania e, particularmente com a promoção da leitura, como é o caso do Leia Brasil.

Quando volto hoje, surpreendo-me ao encontrar marcas daquele tempo na memória dos que fizeram parte do Leia, marcas profundas de muito trabalho, muita dedicação, muitas leituras, excelentes parcerias e, principalmente, muita cumplicidade com os professores. À época, não resolvemos os problemas da Educação no Brasil, nem os das escolas públicas, mas tive possibilidade de criar um elo de comunicação com os professores, sensibilizei secretárias de educação para a questão da leitura, formei uma rede de reflexão entre os coordenadores das escolas na qual todos aprendiam, inclusive eu. Na ponta, sentíamos os reflexos dessa rede no engajamento e na mudança de mentalidade dos professores, nos resultados dos alunos e nas reformulações curriculares promovidas pelas Secretarias de Educação. Formamos muitos professores leitores, apaixonamos muitas crianças e jovens com a leitura e para a  leitura.

De lá até hoje, passaram-se dez anos, tempo no qual, dentre outros trabalhos, percorri as Bibliotecas do Sesc Rio, reformulando-as, modernizando-as, ampliando–as. Implantei nelas o Programa de Leitura “Tecendo o Amanhã”, que brindava seus usuários com atividades prazerosas de estímulo à leitura e reunia um acervo de excelente qualidade, deixando-o disponível em novos espaços de leitura: mais modernos, confortáveis e bonitos. Levei muitas crianças e adultos para esses espaços, mas o maior desafio foi conquistar os jovens para a leitura, uma provocação superada graças ao Programa de Formação de Jovens - Agentes de Leitura. Foram três anos de atividades constantes de promoção da leitura: rodas de leitura, sessões de contação de histórias, entrevistas com escritores, saraus literários com autores consagrados, palestras e oficinas de leitura com especialistas, cursos, seminários e simpósios.  Nesse trabalho, contei com a parceria competente de especialistas e, em especial, das bibliotecárias do Sesc. Uma outra vitória do meu percurso de promotora de leitura: conquistar as bibliotecárias.

Em 2003, fui trabalhar com idosos: convivência e lazer para a qualidade de vida. Tinha como tarefa programar, para Casas de Convivência e Lazer, atividades que trouxessem de volta aos idosos a alegria de viver, a esperança, a possibilidade de serem úteis, produtivos e atuantes neste mundo moderno.

Montei a primeira Casa nos mesmos moldes da Casa da Leitura – sede do Proler/Leia Brasil, por algum tempo. Foi a fé na leitura como instrumento de convivência, de prazer e de esperança que me fez seguir por esse caminho. Apesar dos gerontólogos não terem a certeza do bem que a leitura faz, trilhei esse percurso e fiz desse programa um programa de sucesso. Com a leitura, foi possível melhorar a qualidade de vida, recuperar a autoestima, promover a inclusão social e dar maior sentido à vida de muitos idosos. Não foi diferente do que aconteceu com os jovens do Sesc. Há uma euforia na descoberta do prazer de ler que é igual para todos, jovens e adultos. A leitura, em especial do livro, que com os idosos gerou afetos, pode ser desde um excelente companheiro/amante até um bom motivo para fazer amigos, para chegar a grupos e para ser aceito por outras pessoas. Entre os idosos, quem se debruçou sobre a leitura, principalmente da literatura, ficou mais interessante e com um melhor astral. Nasceram nas Casas, com a leitura, idosos poetas, escritores, contadores de histórias, compositores, que, em alguns casos, hoje se valem desse trabalho para complementar sua renda pessoal ou familiar.

Conto as minhas experiências nesse tempo em que fiquei longe (mas, perto) do Leia Brasil e me apresento fazendo essa retrospectiva da minha vida profissional, porque chego de volta com a bagagem cheia: de idéias, convicções, experiências, vontade de contar, de falar, de ajudar e, principalmente de trocar – trocar sempre foi a minha vocação. Esse trajeto serviu para experimentar todas as possibilidades de um trabalho efetivo com a promoção da leitura, reforçando minha crença na importância da leitura na vida dos homens.

Mas o professor sempre foi meu principal agente de troca, pela identificação que com ele tenho, desde minha experiência no magistério. Os frequentes sentimentos de solidão profissional, a angústia da incerteza, a falta de parceiros comprometidos, de convivência solidária com meus pares, de alguém disponível para falar de ou sobre qualquer assunto, e de pedir um “help” nos momentos de aflição foram motivos dessa minha aproximação. Penso que talvez eu possa ser um agente tranquilizador, que chegue para trocar, para contribuir, para agregar. Chego apostando naqueles que têm angústias no magistério, pois quem não as tem, não o leva a sério. Por isso me apresento com essa bagagem. Aproveitem.

Lembro-me bem daquela época em que os Núcleos de Leitura com os Coordenadores Locais se multiplicavam nas escolas com os professores de sala de aula e se tornavam o ponto alto da ação pedagógica do Programa. Especialistas falavam sobre temas de interesse dos alunos e professores, com “dicas” de como trabalhá-los em sala de aula; indicávamos textos e livros sobre o assunto e apontávamos alguns caminhos para incentivar os alunos para a leitura desses títulos; eu interagia com os Coordenadores Locais e Secretários de Educação; promovia, nessa interação, maior segurança para desenvolverem o Programa nas escolas.

Na minha volta, podemos retomar essa velha prática usando novos recursos, novos instrumentos, novas linguagens. A interatividade poderá ser presencial ou on line. Que tal estarmos à disposição on line para discutir temas de interesse, tirar dúvidas, dar “dicas” de leitura e de acervos, indicar títulos premiados e altamente recomendados, comentar livros e textos, apresentar especialistas e escritores para falarem com os professores sobre sua obra?  É para isso que estou voltando.

Acho que será um bom tempo, este! A volta nunca é igual, tem sempre uma qualidade diferente. Espero que seja para melhor!

Um abraço,
Maria Helena Ribeiro

10 comentários para “Apoio à leitura nas escolas”

  1. Juliano Alexandre de Oliveira disse:

    Olá professora, primeiramente parabéns pelo belo projeto de incentivo à leitura, é disso que precisamos em nossas escolas, estamos carente dessas ações em nossas instituições escolares, e carentes não apenas no que se refere a grande massa de alunos, mas nossos professores estão pecando quanto a esse excelente atitude.
    Gostaria de saber de que forma, maneiras, dicas de como incentivar a leitura em minha escola, incentivar a leitura tanto dos alunos como dos professores.
    Tenho em mente que a leitura prazerosa pega-se por contágio, tendo viver isso todos os dias de minha caminhada como docente, mas preciso da vossa contribuição também.
    Abraços
    Conto com sua ajuda.
    Boa leitura e até breve.
    Juliano

  2. Lais Piovesan disse:

    Olá amiga Maria Helena
    O seu texto é a Volta dos anos dourados na Prefeitura de SP. Como vivi aqueles momentos das reuniões na Petrobras e como deram certo. Que equipe maravilhosa tinhamos. Saudades. Mas, “Voltar é reviver, ninguem se perde na volta”, são palavra de José Américo de Almeida, paraibano e autor de A Bagageira, romance regionalista premiado.Acredito que o seu trabalho será coroado de êxito porque em tudo o que vc coloca a mão, junto vai o seu coração e isto se chama amor.E o que é a leitura se não um ato de amor para consigo mesma. Diga ao Jason que ele é um homem de sorte por ter uma Ong que dá oportunidades para uma nova visão nas pessoas por meio deste programa e por ter você como coordenadora, digo até que vc é mais do que isso, é a verdadeira personagem que sai de dentro dos livros quando conta suas histórias. Parabéns
    Beijins
    Lais SP 11/03/09

  3. Luciana Gavioli disse:

    Profa. Maria Helena, bom dia!
    Solicito que me envie calendário desse trabalho de apoio às escolas. Sou coordenadora de Curso de Graduação nas áreas de Letras e Matemática na Faculdade Gama e Souza no RJ e o público alvo desta IES são de alunos com muita carência cultural. Pagam uma mensalidade muito baixa e precisam de muita informação e do nosso apoio.
    O projeto contempla visitas às faculdades? A Gama e Souza t~em colégios de Ensino Médio e este assunto interessa às professoras. Como podemos agendar uma visita?
    Meu tel de contato: 21-81412723
    Grata, Luciana Gavioli

  4. Samantha Barros disse:

    Olá! Tudo bem?
    Gostaria de dizer novamente: seja bem-vinda!
    Apesar de Rio das Ostras fazer um ótimo trabalho de incentivo à leitura, contamos com sua colaboração, pois tudo que é bom, é muito bem-vindo!!
    Beijos das Coordenadoras:
    Samantha Barros e Marilucia Abichacra

  5. Encantada, só me resta mandar, para você e para o Projeto, os meus
    PARABÉNS!

  6. Silvia Cunha Teixeira Couto disse:

    Participei da sua palestra em Conceição de Macabu e gostaria de dizer-lhe primeiro como educadora e depois como diretora que darei o máximo de mim para que os dias de visita do caminhão à minha escola sejam dias de festa, pois também sou apaixonada por livros e como educadora sempre procurei levar os meus alunos à essa mesma paixão.
    Abraços!
    Que seu retorno seja abençoado por Deus!

  7. Evelyn Silva do CArmo Alves disse:

    Tudo que é e está relacionado ao incentivo À leitura me chama a atenção. Por esse motivo, ao ler sua carta de retorno ao projeto, pude perceber que nossas “angústias” estão em sintonia. Mas é a primeira vez que entre nesse blog e não conheço o projeto inicial. Sendo assim, é meu interesse conhecê-lo, além dos novos que, claro, já estão em andamento em sua mente brilhante.
    Sucesso!!!
    Evelyn

  8. Trabalho muito bonito. Gostaria de saber como incentivar a leitura aos alunos.
    Estou trabalhando com recuperação paralela, e os jovens possuem os mesmos problema: má leitura e dificuldades em redigir textos. Gostaria de auxiliá-los e muito.

    obrigada.

  9. Trabalho belíssimo esse. Tanto que também gostaria de receber dicas de como incentivar os jovens à leitura.
    Estou trabalhando com recuperação paralela e as dificuldades são sempre as mesmas: dificuldade de leitura, dificuldade em redigir textos, e ortografia. Isso ocorre tanto no ensino fundamental ciclo II como no médio.
    Conto com sua colaboração, e parabens a sua inicitiva.

  10. Coordeno o Sistema Municipal de Bibliotecas Escolares (SISMUBE) da Secretaria Municipal de Educação de Belém/Pa. Como faço para conseguir doações de obras de literatura infantil junto ao Leia Brasil?
    Atenciosamente,
    Sílvia Cristina Fernandes
    (91) 3212- 1010

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